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Linfomas afetam o sistema de defesa do organismo

14 Apr 2016

 

Apesar de muitas vezes ser uma doença grave, as chances de remissão de alguns tipos de linfoma podem chegar a quase 90%.

 

Linfoma é um câncer hematológico que se desenvolve a partir de células do sistema imunológico localizadas nos linfonodos (gânglios). São divididos em Linfoma de Hodgkin (LH) e Linfoma não-Hodgkin (LNH). Cerca de 90%  são do tipo não-Hodgkin, enquanto que em torno de 10 %  são Linfoma de Hodgkin. Em 2015, nos Estados Unidos, estima-se que haverão cerca de 71.850 casos novos de LNH e cerca de 9.050 novos casos de LH em um total de 80.900 casos/ano. Somando os dois tipos, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de 11.970 novos casos da doença para este ano, no Brasil. A diferenciação entre ambos está na característica histopatológicas das células neoplásicas, a qual  só é possível  através da biópsia do linfonodo ou do tecido envolvido. Do ponto de vista histopatológico, os LH se distinguem dos LNH pela presença de células de Reed-Sternberg. Os LNH representam um grupo heterogêneo de doença que se distinguem entre si pelas características das células neoplásicas associadas ao tipo de doença. A maioria dos LNH são do tipo celular B (cerca de 85%) enquanto que os demais são do tipo celular  T ou NK (Natural killer).

Normalmente, os linfomas acometem exclusivamente, os linfonodos, que são órgãos do sistema de defesa do organismo, mas podem atingir também outros órgãos, especialmente quando em estágios avançados.

 

Sinais e Sintomas

Em geral os sintomas  são pouco específicos , o que pode dificultar o diagnóstico inicial. Deve-se ficar alerta para:

  • Aparecimento de gânglios linfáticos aumentados de tamanho (nódulos > 2cm), indolores e localizados em regiões de cadeias linfáticas como pescoço, axilas ou virilhas;

  • Suores intensos durante a noite ( que molha a roupa e o lençol );

  • Febre sem explicação preferencialmente a tarde;

  • Cansaço extremo;

  • Dores no corpo;

  • Perda de peso inexplicável;

  • Processos infecciosos diversos pelo comprometimento da imunidade.

Em alguns casos não existem quaisquer sintomas e o linfoma é descoberto de forma ocasional durante um exame médico de rotina.

Diagnóstico

Para definição do diagnóstico os especialistas lançam mão de anamnese,  exame físico, exames de sangue, exames de imagem como  tomografias , PET-CT, ressonância magnética e, obrigatoriamente, a biopsia com imunohistoquimica.

A biópsia consiste na retirada de material celular do linfonodo ou de outro tecido acometido para definir o tipo de células contidas nesta amostra e assim determinar o tipo de linfoma.  A imunohistoquimica e uma técnica complementar que visa reconhecer antígenos e assim identificar e classificar células especificas dentro de uma população celular heterogenia esclarecendo o subtipo celular e orientando o tratamento da doença.

 

Tipos de Biópsias:
Excisional  - Neste procedimento, o cirurgião faz uma incisão na pele e remove todo o linfonodo. Se o linfonodo está localizado perto da superfície da pele, o procedimento é simples, e pode ser realizado sob anestesia local, mas se estiver em planos mais profundos poderá ser  necessária anestesia geral. Esse método fornece material suficiente para diagnosticar a doença.

 

Aspiração por Agulha Fina (PAAF) e Core Biopsy – Neste procedimento é utilizada uma agulha fina e uma seringa para aspirar uma pequena quantidade de tecido a partir de linfonodo ou tumor. Na core biopsy utiliza-se uma agulha de calibre maior para remover uma amostra um pouco maior de tecido. Se o tumor estiver localizado em planos profundos, o médico guiará e orientará a posição da agulha com o auxílio da tomografia computadorizada ou ultrassom. Vale ressaltar que a PAAF não deve substituir a biopsia de linfonodo no diagnostico e classificação dos linfomas.


Exames das Amostras:
Todas as amostras removidas de biópsia são analisadas por um patologista, médico especializado na avaliação de células, tecidos e órgãos.

 

Tratamentos:

Entre as principais opções de tratamento estão os quimioterápicos convencionais, imunoterapicos  (inibidores específicos (check-poinits), terapia celular alvo, anticorpos monoclonais e vacinas terapêuticas), radioterapia e transplante de medula óssea.

A maioria dos pacientes com LNH sao tratados com anticorpos monoclonais (ex. Rituximab) em associação a quimioterápicos. A radioterapia é menos utilizada ficando reservada especialmente, para casos de doença localizada. Os LH são usualmente tratados com quimioterapia, radioterapia ou a combinação das duas, conforme o estagio da doença e o tipo celular.  Nos casos de recidiva (quando a doença reaparece após o tratamento inicial) ou refretários, um novo esuqema de tratamento associado ao transplante de medula óssea, em geral é a opção terapêutica de escolha.

Quimioterapia convencional:  a poliquiomioterapia ainda e a principal forma de tratamento dos linfomas ao diagnóstico, compondo uma associação de medicamentos com diferentes mecanismos de ação para induzir a destruição das células neoplásicas. Ex. Ciclofosfamida, vincristina, doxorrubicina, etoposide e novas medicações como, bendamustina e pralatrexato  dentre inúmeras outras.

 

  • Transplante de Células Tronco  hematopoiéticas autólogo (células do próprio paciente) e alogênico (células de doador) conforme dito anteriormente, são  comumente utilizados nos casos de falha do primeiro tratamento após um tratamento de resgate (refratários ou recidivados)  com objetivo de renovar as células da medula óssea e eliminar ou retardar a evolução da doença.

  • Os anticorpos monoclonais já amplamente utilizados, que são moléculas, criadas em laboratório, que atacam especificamente uma célula alvo e recruta células do sistema imune contra as mesmas. Foi o primeiro tipo de imunoterapia que obteve sucesso contra os linfomas cujo protótipo é o rituximab (anticorpo monoclonal anti CD20) para linfomas de célula B.

  • Mais recentemente o uso de imunoterapicos, vem mudando o curso natural da doença ampliando e modificando a forma de tratar os linfomas e oferecendo maiores taxas de remissão e cura. Alguns exemplos são inibidores específicos (checkpoint inhibitors) como nivolumab (anticorpo anti-PD-1), ipilimumab (anticorpo anti-PD-L1) entre outros.  Terapia celular alvo (adoptive cell terapy) onde células imunes são removidas dos pacientes, geneticamente modificadas e depois reintroduzidas nos pacientes, frequentemente, em concentrações altas. Essas células imunes são capazes de destruir as células cancerígenas. Essa pratica ainda vem sendo testada em estudos clínicos em diversos centros do mundo.

  • Finalmente, as vacinas terapêuticas que ainda estão sendo testadas em estudos clínicos, cujo objetivo é criar uma reação imune contra as células do linfoma em pacientes que têm a doença ou em pacientes cuja doença está em remissão.

 

A resposta à terapia varia de acordo com o tipo  de linfoma diagnosticado e seu estagio e o tratamento de escolha deve levar em consideração, também, características individuais do paciente, como presença de co-morbidades (performance status ).

 

Saiba mais sobre os linfomas:

O linfoma é um tumor maligno que resulta do crescimento anormal de células do sistema linfático e é considerado umas das 10 principais causas de morte na Europa. Os sintomas do linfoma são pouco específicos, porque são comuns a um grande número de doenças, o que dificulta o diagnóstico inicial.

Em casos agressivos, os linfomas não-Hodgkin têm crescimento bastante acelerado, podendo dobrar de tamanho em semanas. No entanto, as chances de cura variam de 60% a 70% quando adequadamente tratados. Quando a doença é descoberta ainda no início, as chances são ainda maiores. A incidência aumenta com a idade. Na segunda década de vida, a taxa é de quatro casos a cada 100 mil pessoas, enquanto que na faixa dos 60 anos, a incidência aumenta dez vezes, passando de 40 a cada 100 mil pessoas.

As chances de cura são ainda maiores nos linfomas de Hodgkin, com índices de remissão que podem alcançar quase 90%. As causas ainda são desconhecidas em ambos os casos, mas alguns estudos apontam a relação da doença com infecções como o vírus Epstein-Baar, que provoca mononucleose infecciosa e que está associado a um terço dos casos de linfoma de Hodgkin. Indivíduos infectados com HIV também tem mais probabilidade de desenvolver a doença. Além disso, a divisão por faixa etária é um fator relevante. Esse linfoma  associado ao HIV aparece principalmente em jovens com idades próximas aos 20 anos.

Por se tratar de uma doença com apresentação clinica heterogenia e muitas vezes de difícil diagnostico, é de suma importância que em caso de suspeita, procure-se auxilio do médico especialista.

 

Dr. Sávio Ferreira - CRM 40840 / RQE 28335

Especialista em onco-hematologia (tratamento de neoplasias hematológicas)

Médico hematologista  pela Irmandade Santa Casa de Misericórdisa de São Paulo

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